O nascimento é um momento de alegria, mas porque estou triste?

O nascimento é um momento de alegria, mas porque estou triste?

Olá mamães, estava pensando a respeito do nascimento de um bebê, ele também tem como consequência o nascimento de uma mãe, a intensa alegria que gera em torno desse momento, a realização de um sonho, a chegada de um novo ser, a formação de uma nova estrutura para aquela família. Mas será que esse ponto de vista é o que ocorre na realidade? Ou é apenas um modelo imposto sobre como tem que ser um nascimento? Ou ainda é apenas uma parte de como acontece?

Isso tudo me remete à uma sensação de perfeição muito grande, tudo é lindo, não há frustração, não há tristeza, não há sensação de incapacidade. É aí que muitos me gritam que não há espaço para isto em um nascimento.

As mudanças começam a ocorrer, e agora?

Interessante esse ponto de vista, pois quando uma mulher engravida ela precisa lidar com as mudanças que começam a ocorrer em seu corpo, sua autoimagem se altera ao longo do tempo, ela passa a idealizar um bebê e uma vida após o parto, então ela tem por volta de nove meses para lidar com essas mudanças que estão ocorrendo, mas de forma controlável, em que ela consegue se organizar com as novas situações de forma mais tranquila.

Mas ninguém menciona as inúmeras mudanças que ocorrem, ninguém fala de uma sensação de vazio que foi preenchido por nove longos meses e agora se mostra com grande importância. Ninguém te fala que seu bebê vai chorar e no começo você não vai saber o que ele mais precisa naquele momento, e que isto é desesperador. Ninguém te conta que você pode sentir uma sensação de culpa, que você não sabe explicar de onde ela vem, e porque ela vem.

Essa culpa me parece muito com a sensação de incapacidade, de fragilidade para lidar com todo esse turbilhão de emoções que acontecem neste momento, e o principal de tudo, ninguém te conta que isso tudo é normal de sentir, e que o melhor jeito de lidar com isso é conversando, buscando apoio, pedindo ajuda, e mais que nunca percebendo que você é a melhor mãe que este bebê poderia ter.

Baby Blues ou Tristeza Materna

Tudo bem entendo isso tudo que acontece na prática, mas falta um porque isso acontece, e o que é tudo isto que acontece que muda nossa forma de ver o mundo nesse período. Este período do pós-parto que pode ter a ocorrência de uma tristeza materna, uma sensação de vazio, culpa, irritabilidade, mudanças de humor, entre outros, é chamado de Baby Blues ou Tristeza Materna.

O Baby Blues ou Tristeza Materna é um estado de humor depressivo que pode acometer até 80% das mulheres no período pós-parto, tendo seu início em torno da segunda semana após o nascimento do bebê.

Essa tristeza advém das enormes transformações que ocorrem no âmbito biológico, psicológico e social dessa nova mãe, podendo haver conflitos emocionais relacionados com a autoimagem, a administração das relações, como lidar com a sexualidade e a maternidade, como lidar com as mudanças de estado emocional de filha para atual mãe, entre outros. Há um mundo novo a ser explorado pela nova mãe, mundo este ainda desconhecido e inseguro.

Dentre os conflitos da mãe, também existe a necessidade de cuidar desse novo ser que chegou à família, sendo que sua vida, seu bem-estar dependem inteiramente de cuidados maternos e paternos, então o foco deixa de ser o casal para ser o bebê, podendo haver neste momento sentimentos de culpa, ansiedade, irritabilidade, caso a mãe sinta que não está conseguindo cumprir com sua função conforme ela havia idealizado durante o período da gravidez e ao longo de sua vida, já que é um dos momentos mais importantes na vida de uma mulher.

Por se apresentar com leve intensidade, não desconsiderando sua importância, não se faz necessário o uso de medicações, uma vez que ele tende a regredir a partir do primeiro mês após o nascimento, pois a nova mãe já começa a adquirir habilidades novas, perceber soluções, começa a se organizar e organizar seu meio para que seja facilitado o cuidado e aconchego do bebê e de si própria. Apesar de apresentar leve intensidade é de extrema importância que haja grande cuidado, dedicação e atenção à essa mãe tão fragilizada que necessita de acolhimento.

Mas como a família pode auxiliar sem que agrave esse quadro?

Compreensão se mostra como primeiro e principal fator de cuidado com essa mãe, apoiando-a neste momento tão especial, auxiliando-a com os cuidados do bebê e com ela mesma. A cobrança pela forma de cuidar e de manusear o bebê deve ser deixada de lado neste momento, mesmo que haja uma forma idealizada pela família, aprendida por gerações sobre como cuidar, regras e passos que devem ser seguidos, neste momento deve haver o apoio e o encorajamento da capacidade dessa mãe de cuidar do seu bebê do seu jeito.

Então percebemos que se sentir culpada não é um sentimento que uma mãe ruim tenha, aliás, sempre acreditei que não existem mães ruins, todas as mães são boas, principalmente pelo fato de que deram o bem mais precioso que possa existir para uma criança, que é o dom da VIDA.

E partindo disso, não podemos negligenciar o cuidado com a mãe, com suas dificuldades, com seus medos, é preciso olhar e cuidar dessa mãe, apoiando-a, ouvindo-a, mas ouvindo com carinho, sem julgamentos, sem críticas, ouvindo tentando auxiliar e entender seus medos, observando suas necessidades, para que possamos trazer o conforto de uma palavra que pode mais auxiliar do que causar mais dores.

Então, mamãe gostaria de lhes dizer que não estão sozinhas, que esse sentimento tão contrário ao momento é mais comum de ocorrer do que podem imaginar, pois são momentos de mudanças intensas que levamos algum tempo para nos acostumar e aprender a lidar. Fazendo-se necessário também olhar para o que sentem, não podendo negligenciar ao perceberem que precisam de ajuda de um profissional não deixem de buscar, uma vez que uma depressão pós-parto pode ser tratada e evitada quando recorremos a um profissional a tempo.

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Um grande beijo e até a próxima.

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